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O essencial sobre os testes de cosméticos em animais

 


O QUE SÃO?
Quando desenvolvem ou utilizam novos ingredientes, algumas empresas conduzem testes em animais para avaliar o seu grau de segurança. São testes realizados em animais como ratos, ratazanas, coelhos e porquinhos-da-índia, para testar produtos como cremes, champôs, perfumes, maquilhagem e tinta de cabelo. Estima-se que, anualmente, meio milhão de animais são usados para testes de cosméticos.


QUE TIPO DE TESTES SÃO FEITOS?
Ratos, ratazanas, coelhos e porquinhos-da-índia são submetidos a testes por períodos que variam entre os 28 e os 90 dias. Entre as práticas mais comuns, estão a aplicação de ingredientes na pele ou nas membranas mucosas, como os olhos, e a ingestão ou inalação forçada de ingredientes. Os animais são abatidos no final dos testes.


QUAIS OS ARGUMENTOS CONTRA OS TESTES DE COSMÉTICOS EM ANIM

Os testes em animais são cruéis, causando-lhes mal-estar, sofrimento e morte. A nível científico apresentam limitações, pois diferentes espécies reagem de formas diferentes aos mesmos componentes. Resultados de testes em animais podem não ser relevantes para humanos. Existem dezenas de testes não-animais validados para uso, bem como milhares de ingredientes que não precisam de voltar a ser testados.


OS TESTES SÃO LEGAIS NA UE? E O QUE SE PASSA COM A CHINA?

Em 2013, a União Europeia proibiu os testes de ingredientes e cosméticos em animais, bem como a venda de produtos testados. No entanto, o governo chinês conduz, obrigatoriamente, testes em animais em todos os produtos cosméticos importados para o país. Isto significa que mesmo que uma empresa de cosméticos não teste os seus produtos ou ingredientes em animais, se exportar para a China não pode ser considerada cruelty-free.


O QUE PODEMOS FAZER?

O objetivo dos grupos e associações que trabalham para banir os testes de cosméticos em animais é a criação de legislação que proíba estes testes nos países que ainda os realizam. Enquanto consumidores, podemos exercer pressão sobre as empresas, assinar petições e mostrar preferência por marcas cruelty-free, optando por boicotar as que são cúmplices dos testes em animais. 


FONTES

www.humanesociety.org

www.crueltyfreeinternational.org

4 formas simples de reduzir as despesas secundárias

Há mais de um ano, pouco depois de começar a trabalhar, escrevi este post com as estratégias de poupança que tinha começado a aplicar e que estavam a funcionar para mim. Na altura tinha começado a poupar para a minha rinoplastia, com um prazo definido de mais ou menos um ano para chegar à meta pretendida.  No meio da minha inocente euforia, do meu wow-sou-a-master-da-poupança, houve quem se revoltasse. Que não tinha renda de casa para pagar, que andava de transportes públicos, que sabia lá eu o que era a vida. É verdade, ainda não tenho renda de casa para pagar, ando de autocarro e não tenho créditos nem prestações. Sei que há muitas pessoas que não conseguem poupar porque, simplesmente, as despesas fixas mensais igualam o valor do salário. Mas também sei que há outras que auferem um salário razoável ou bom, que, por falta de planeamento, têm pouco controlo sobre a sua vida financeira, e que gostavam de se organizar melhor para conseguir poupar mais. Obviamente, estas dicas, como as primeiras, são para essas pessoas. Enquanto as primeiras eram mais generalistas (estabelecer um valor máximo para as despesas secundárias de cada mês, criar uma conta poupança para evitar tentações, etc.), estas são mais específicas às despesas secundárias e como podemos diminuí-las. Vamos a isso?


1 - Reduzir para o mínimo as despesas regulares de beleza. De vez em quando, sou acometida por uns sonhos loucos relacionados com o mundo da beleza: pintar o cabelo de louro platinado e fazer extensões de pestanas são os mais comuns. Depois lembro-me que ficaria presa ao custo das manutenções (e que não tenho tom de pele para ser loira) e regresso à Terra. Idas frequentes ao cabeleireiro, unhas de gel e gelinho, depilação na esteticista - precisamos mesmo disso tudo? Pela minha parte, o único "luxo" desse tipo que me permito é o threading de sobrancelhas, a cada mês e meio, porque acho que faz muita diferença e não tenho habilidade para fazer em casa;  




2 - Só comprar roupa em promoção. Em 2017, comprei uma única peça de roupa que não estava em promoção, porque me apaixonei por ela e faltavam 2 meses para o início dos saldos. Regra geral, faço 2 compras maiores por ano - nos saldos de verão e de inverno - e, se pelo meio preciso ou tenho vontade de comprar uma coisinha, opto pelos outlets. É preciso paciência, visitar as mesmas lojas e os sites várias vezes durante o período de saldos, mas é possível fazer ótimas compras por uma fração do preço que pagaríamos em época normal. Outra hipótese é comprar em promoções de meia-estação ou com cupões de desconto. No CupomValido.com.br encontram cupões de desconto em diversas marcas presentes em Portugal, como Adidas, Fnac, Quem Disse Berenice? e O Boticário.




3 - Fazer planos culturais gratuitos (ou muito baratos). Em Lisboa, os museus oferecem entrada gratuita aos domigos, até às 14h, para cidadãos portugueses. Há imenso para ver ou rever: Jerónimos, Estufa Fria, Castelo de S.Jorge, Torre de Belém, Palácio da Ajuda, e muito mais. Para quem gosta de cinema, as promoções são muitas. Alguns exemplos: usuários Yorn pagam apenas €3 às terças nos cinemas UCI, portadores de cartão NOS compram 2 bilhetes pelo preço de 1, nos espaços Cinema City podem adquirir um bilhete único de refeição e cinema por €9. Além disso, alguns cinemas, como os UCI, têm um dia por semana denominado "dia do espectador" em que o custo dos bilhetes é inferior ao normal. Não há desculpa para pagar bilhete inteiro! 




4 -  Pensar se valerá mesmo a pena. Esta é uma dica que cada um deverá aplicar à sua maneira, porque não atribuímos todos o mesmo valor às mesmas coisas. Até há pouco tempo, evitava ir a restaurantes porque era uma experiência passageira, preferindo guardar esse dinheiro para comprar uma camisola ou um vestido bonito (em saldos, claro - ahah!). Já não penso exatamente dessa forma, mas ainda acho que existem experiências cujo custo supera o valor. Por exemplo, será que nos compensa pagar €15 por um brunch, quando podemos fazer algo igual, em casa, por menos de metade do preço? 






Espero que tenham achado estas dicas úteis! Deixem nos comentários as vossas estratégias favoritas de poupança =)

Produtinhos do calendário do advento The Body Shop!



Já andava há uns dois anos com vontade de comprar um calendário do advento, pelo motivo óbvio de achar fantástica a ideia de abrir um "presente" diariamente, durante os 24 dias que antecedem o Natal e, adicionalmente, ficar a conhecer melhor uma marca. No entanto, sempre achei os preços demasiado altos (ainda que a maioria das marcas garanta que o valor do conjunto é mais elevado que aquele que estamos a pagar) e não encontrei nenhum calendário que tivesse uma combinação de produtos perfeita. Penso que íamos a seis ou sete de dezembro quando encontrei um dos três calendários que a The Body Shop lançou em 2017 a metade do preço no Freeport. Como podem imaginar, esse foi um dia feliz porque abri todas as casinhas até ao dia em que estava (mas, a partir daí e até ao dia 24 abri religiosamente uma a cada manhã, apesar de por vezes ter espreitado). O calendário trazia:


- 3 sabonetes (o terceiro é o único produto em falta na imagem, porque já o usei);

- 4 géis de duche; 

- 3 cremes/loções de corpo; 

- 1 removedor de maquilhagem para olhos; 

- 3 bálsamos de lábios; 

- 2 cremes de mãos; 

- 1 lápis de olhos preto; 

- 1 esponja de banho; 

- 1 par de luvas esfoliantes;

- 1 esponja de limpeza de rosto; 

- 1 lima; 

- 1 enrolador de pestanas; 

- 1 pente de sobrancelhas; 

- 1 glitter.


O que achei do calendário e dos produtos? 

Em primeiro lugar, fiquei contente por não o ter comprado ao preço original de €60. Alguns produtos - como a lima e o pente de sobrancelhas - desiludem um bocadinho (há mesmo alguém que penteie as sobrancelhas?), e tive pena de não ter recebido um gel de limpeza ou esfoliante de rosto, mas pelo preço de desconto o conjunto mais que valeu a pena. Partilho da opinião geral de que os produtos da marca são realmente bons e dou imenso uso a coisas como bálsamos de lábios e cremes de mãos. Sem falar dos produtos para o corpo, que têm o tamanho ideal para viagens! Também fiquei contente por trazer um lápis de olhos preto em full size, que tem sido de uso diário desde então. Foi uma ótima oportunidade para conhecer melhor a The Body Shop, uma marca que tem a enorme vantagem de não testar as suas fórmulas em animais, e vou decididamente passar a estar mais atenta aos produtos e lançamentos da marca.


E vocês, abriram algum calendário do advento em 2017?

A Internet, a gratificação instantânea e a minha crise de leitura

Quando eu era pequena, gostava muito de ler. Primeiro banda desenhada da Disney e da Turma da Mônica, depois Harry Potter e outros livros juvenis. Lembro-me de, num verão, passar dias inteiros a ler a Ordem da Fénix, e acho que nunca chorei tanto como quando o Sirius, o padrinho do Harry, morreu. Foi como se estivesse lá e, embora não tenha voltado a ter exatamente a mesma experiência com outros livros, continuei a ler e a apreciar a leitura. Com a Lolita de Nabokov comecei a descobrir as obras dos grandes autores: Melville, Tolstói, Dostoiévski, Austen, Flaubert, García Marquez, Saramago, Steinbeck... E, a cada história, conhecia essa sensação de imergir (umas vezes mais, outras menos) num universo diferente. Acho fantástica a forma como os livros nos permitem estar fisicamente presentes num sítio, seja o nosso quarto ou o comboio, enquanto a mente está tão além que, quando alguma coisa nos força abruptamente a regressar, ficamos espantados por não termos saído de onde estávamos quando começámos a ler. Mas esta é uma sensação que já não reconheço: nos últimos anos, quando - raramente - li algum livro, não foi com entusiasmo. A culpa é da minha relação com as tecnologias digitais.


Este ano terminei apenas um livro. Não foi por falta de tempo ou de livros que me agradem. Li como quem desempenha uma tarefa, porque achava que, se forçasse, cedo entraria no ritmo. Mas, no final de cada página, tinha vontade de puxar do telemóvel. Espreitar as novidades nos grupos de Facebook de que faço parte, ver umas Insta Stories ou consultar o e-mail. Se estivesse em casa, começava a pensar que preferia estar a ver um vídeo no Youtube ou uma série. Eu, que tinha passado anos a detestar computadores e a resistir ao canto de sereia da Internet e das redes sociais, percebi que estou completamente absorvida. Acho que é mesmo a palavra acertada: a Internet é como a toca do coelho da Alice no País das Maravilhas e tem o poder (se deixarmos, claro, mas esse potencial é intrínseco à natureza da Internet) de nos absorver e manter fixados. Quem nunca se sentiu preso ao computador, ao final do dia, sem mais necessidade de o manter ligado, mas sem vontade de desviar o olhar? Eu senti, inúmeras vezes. Só mais um vídeo do Buzzfeed, só mais um episódio desta série de que nem gosto assim tanto. Temos o mundo inteiro ali, virtualmente qualquer informação que quisermos à distância de um clique. E é fascinante, e maravilhosa, a forma como nos facilita a vida de tantas maneiras e nos permite expressar a nossa criatividade e opiniões através de plataformas como o Youtube, o Blogger ou o Instagram, ou mantermo-nos ligados a amigos através do Facebook e WhatsApp. Mas é também desgastante para quem, como eu (e, acredito, cada vez mais pessoas), não se consegue desconetar. À imagem de um cyborg, é como se o smartphone já fizesse parte da nossa mão.


Na minha dissertação de mestrado, sobre a relação da mente humana com as tecnologias digitais, escrevi sobre o poder contido na Internet que pode, até, modificar a própria estrutura da nossa consciência. Um exemplo disso é o declínio de certos mecanismos de lembrança de informação: tendo toda a informação no bolso das calças, há muitas coisas que já não precisamos aprender. A Web deu-nos muito, mas acredito que também vá tirar - afinal, estamos só agora a assistir às primeiras gerações nascidas na era das tecnologias digitais, que cresceram com elas como nós crescemos com a televisão, mas que têm um poder que a televisão não tem. E vai ser engraçado ver de que formas nos irão transformar, até porque a mudança não tem que ser má, pode apenas ser... diferente. Até lá, o que gostava mesmo, mesmo, era de me enroscar com um livro à lareira (ou ao radiador, não sou esquisita) e ser transportada para outro mundo, sem a inquietação de estar ligada à rede que nos une a todos e à informação na Web.

Sim, as mulheres são más umas para as outras (e o que podemos fazer para mudar isso)

Créditos: Unsplash



Sei que falar sobre este tema é como aproximar a mão de um ninho de vespas, portanto permitam-me abrir com uma declaração de interesses: sou feminista e reparo diariamente nos efeitos que uma sociedade de cunho machista e patriarcal tem na perceção das mulheres sobre si próprias, bem como nas relações interpessoais entre mulheres e homens e mulheres entre si. As mulheres são objetificadas, frequentemente desvalorizadas em posições de liderança e avaliadas pela sua aparência física. Calma, não estou a dizer que a sociedade está numa cruzada contra o feminino e o que ele representa (pelo menos, não a sociedade ocidental e não neste momento histórico), mas julgo poder afirmar com confiança que todas as mulheres sentiram, pelo menos num momento das suas vidas, o peso do machismo. Do mesmo modo, não diria que todas  as mulheres são, a toda a hora, más umas para as outras - e ainda assim, penso que todas temos alguma experiência a partilhar sobre o assunto.


Tenho sentido essa mesquinhez de mulher para mulher algumas vezes, desde o início da adolescência, vinda de colegas e amigas. Chega, geralmente, em forma de indiretas proferidas com o objetivo de me fazer saber que não acham que seja tão gira/inteligente/inserir aqui outro adjetivo valorativo como elas julgam que eu penso que sou. E, sim, isto é, na maioria das vezes, uma atitude motivada por algum tipo inveja, que, como bem sabemos, é uma profícua geradora de despeito. Porque gostavam de ser mais confiantes de si próprias numa sociedade cujos padrões de beleza impedem que a maioria das mulheres o seja (e as pessoas mais confiantes não são necessariamente as mais bonitas), porque também gostavam de usar aquele vestido mas não se sentem à vontade por culpa das conceções irrealistas sobre como um corpo feminino deve parecer. Certamente que eu própria não serei imune a reproduzir esse comportamento. Quando vejo uma atriz de uma beleza arrebatadora, o meu primeiro (e segundo, e terceiro, instinto) é detestá-la - e é assim que tenho uma raiva mortal à Margot Robbie. Mas devíamos tentar o nosso melhor para não trazermos essa mesquinhez para a vida real, onde um comentário mal intencionado (sim, porque a intenção desses comentários é sempre desvalorizar a pessoa a quem são dirigidos, permitindo àquela que o emite uma satisfação retorcida) pode realmente afetar alguém. 


Onde é que quero chegar com isto? Se acho que as mulheres conseguem ser mesquinhas umas para as outras? Sim. Se acho que este é um comportamento que resulta de uma estrutura machista que define um conjunto de características desejáveis ao feminino, fazendo com que as mulheres compitam entre si sobre quem é a mais bonita, a mais desejada, etc? Certamente - afinal, já Bourdieu dizia que a dominação masculina (termo do sociólogo) não poderia, no Ocidente, sobreviver sem a conivência do grupo dominado. Se eu acho que a ocasional mesquinhez entre mulheres é o mais grave problema derivado do machismo? De forma alguma. O machismo produz formas de violência - violência doméstica, violência no namoro, violência sexual - que matam mulheres todos os dias. E, no entanto, não acho que esta seja uma questão irrelevante. Que uma colega de escola tenha usado a nossa autoestima como cordeiro sacrificial para aumentar a sua, não nos dá carta branca para fazer o mesmo a outra. E, assim como o "piropo" é produto de uma cultura machista mas cabe a cada homem perceber que não tem o direito de andar na rua a assediar verbalmente as mulheres com quem se cruza, também nós temos o dever de ser melhores umas para as outras. Se acham a vossa amiga bonita, celebrem a beleza dela. Se a vossa colega é a melhor aluna da turma, não menosprezem a sua inteligência insinuando que só o consegue por ser marrona. Se ela consegue comer este mundo e o outro sem engordar, não a chamem de escanzelada. No fundo, é muito fácil: basta que se lembrem que as virtudes e conquistas das outras mulheres não vos desvirtuam. Verão que não precisam de depreciar outrém para serem, também vocês, incríveis.

Cinco séries de 2017 para ver em 2018

Desde o fim de Downton Abbey que me sinto meio órfã de série. Sou muito fã de Game of Thrones (eu sei, à semelhança da quase totalidade da população terrestre), mas com temporadas tão curtas e um tempo excessivo de espera entre as temporadas, quase me esqueço que existem a Daenerys e os amiguinhos todos. Além de que já arranjaram maneira de matar um dragão e não sei se me sinto emocionalmente preparada para a eventual morte de outro. Mas adiante - ainda que este ano não tenha descoberto uma série que me tenha deixado mesmo encantada, passei bons momentos com um conjunto delas. Aquelas que vi do princípio ao fim, ou que sei que irei ver, ganharam lugar nesta lista (para trás ficou, por exemplo, Penny Dreadful, que começou muito bem mas tornou-se cansativa), e desconfio que algumas podem tornar-se "A" série para alguém.


1. THE HANDMAID'S TALE 

A minha série favorita do ano e algo de realmente novo, desafiante e inquietante. Baseada no romance do mesmo nome de Margaret Atwood, tem lugar num futuro distópico em que, face às reduzidas taxas de fertilidade, um governo totalitário força as mulheres férteis a tornarem-se servas de homens poderosos, com a finalidade de produzir filhos para estes e as suas esposas. The Handmaid's Tale segue o percurso de uma dessas servas (a quem foi atribuído o nome de Offred (literalmente, "de Fred", o homem a quem pertence) e é a história da luta contra a subjugação, o patriarcado e a coisificação da vida humana. 


Mais uma série baseada num romance de Margaret Atwood, desta feita baseado em factos verídicos. É factual que existiu uma mulher chamada Grace Marks, que essa mulher trabalhava como empregada doméstica na casa de Thomas Kinnear, que este e a sua governanta e amante, Nancy Montgomery foram assassinados em 1843, e que Grace e o outro empregado da casa, James McDemortt, foram condenados pelo duplo homicídio. A dúvida sobre se Grace seria realmente culpada é o motor principal da história e deixa-nos a pensar até ao último minuto (e talvez até depois). A atriz principal, Sarah Gadon, oferece uma performance cativante e deve-se a ela grande parte do fascínio desta série.




3. WESTWORLD 



Foi uma das séries mais aclamadas do ano e com boa razão. Não que o tema seja inovador: não só a série é baseada num filme homónimo de 1973, como já vimos a questão da inteligência artificial discutida em muitos meios e explorada na ficção. É, no entanto,  cada vez mais atual: à medida que os computadores se vão tornando mais inteligentes, os limites do humano e a própria definição de "pessoa" pedem para ser questionados. Westworld é, no seu âmago, movida por esta questão filosófica, não se passasse a ação num parque temático inspirado no Velho Oeste e povoado por robots cuja extraordinária semelhança aos humanos é o real atrativo para os visitantes, que aí podem viver as suas mais loucas fantasias. A noção de pessoa e as concepções de bem e mal são o motor desta série que promote mais e melhor para a segunda temporada.

 


4. BIG LITTLE LIES


O que esperar de uma série que junta Nicole Kidman, Reese Witherspoon e Shailene Woodley nos papéis principais? Na minha opinião, uma espécie de Donas de Casa Desesperadas, mas em muito melhor. O ponto de partida é o mesmo: donas de casa endinheiradas com vidas aparentemente perfeitas que escondem, em alguns casos, vidas não tão perfeitas assim e, noutros, situações verdadeiramente dramáticas. A série deixa-nos agarrados desde o primeiro episódio, quando é revelado que as três amigas estão envolvidas num homicídio. Não sabemos quem morreu ou quem matou, e cada episódio caminha para o desvendar desse mistério. Não será uma das minhas séries favoritas de sempre, mas com apenas sete episódios, um bom enredo e ótimas interpretações, foi uma aposta ganha.


5. GODLESS

Esta última entrada envolve um bocadinho de batota porque, na verdade, ainda não terminei a série. Interessou-me o facto de ter poucos episódios (regra geral, as séries que já têm muitas horas de screentime assustam-me), de ser um western e de ter a Michelle Dockery no elenco, a fofinha (discutível, mas eu era apaixonada) Lady Mary de Downton Abbey. Godless cruza duas histórias: a de uma cidade mineira quase exclusivamente ocupada por mulheres após uma explosão na mina ter aniquilado a maioria dos homens, e a de Roy Goode, um fora da lei perseguido pelo impiedoso Frank Griffin e o seu bando. É uma série violenta, como teria sido o Velho Oeste, mas vejo-lhe muito potencial e estou certa de que quando a terminar irá continuar no meu Top 5 de séries de 2017.


Quais as vossas séries favoritas de 2017? Digam-me se acham que há alguma mesmo boa que me está a falhar. E aproveitem para me seguir lá pelo Instagram, onde publico com regularidade 💙

A minha cirurgia estética - 5ª parte: remoção da tala

O relato da minha experiência do pós-operatório não chegaria para encher uma página. Essa que é para a maioria a altura mais temida de uma intervenção cirúrgica, no caso específico desta cirurgia, e na minha experiência, não passou de sintomas de constipação, somados a algum inchaço e olhos negros. Sim, não estava com bom aspeto, mas nunca senti dor nem qualquer tipo de incómodo depois da remoção dos tampões na manhã que seguiu a cirurgia. Nesse dia, já em casa, e nos dia seguintes, as nódoas negras ficaram mais pronunciadas (algo esperado e que, portanto, não me incomodou) e as bochechas incharam imenso (algo que não esperava e que me assustou - não porque fosse grave mas porque me fazia confusão ver-me ao espelho num estado que não reconhecia). Apesar de uma ligeira obstrução, nunca deixei de conseguir respirar pelo nariz, o que acredito ter ajudado a um pós-operatório tranquilo. Isso, e ter percebido, mesmo com a tala e o inchaço, que o nariz estava de facto mais pequeno e delicado.


Oito dias depois da cirurgia voltei ao hospital para tirar a tala e os pontos e apesar de não ter grandes expectativas (tinha acompanhado casos de rinoplastia no Youtube e o nariz parece quase sempre uma batata nos primeiros dias que sucedem a remoção da tala) adorei o resultado: o tamanho do nariz estava proporcional ao meu rosto, a bossa não estava lá, as narinas estavam mais pequenas e a ponta refinada. Estava tudo diferente, mas reconheci logo aquele nariz como meu. Julgava que levaria algum tempo a habituar-me às mudanças, principalmente porque o nariz altera a perceção geral do rosto, mas nunca senti isso. Pelo contrário, era  como se este fosse o nariz que sempre deveria ter tido, em harmonia com o rosto. Ainda está inchado, ainda vai mudar muito (e já notei mudanças desde o primeiro dia sem a tala), mas as melhorias são notórias e são testemunho do trabalho de um excelente profissional, o Dr. José Carlos Neves. Deixo um pequeno antes e depois, ainda com adesivos mas com a promessa do resultado final em breve.  




A minha cirurgia estética - 4ª parte: a cirurgia

Sim, ainda é o nariz antigo =)



Comecei a ficar nervosa duas semanas antes da data agendada para a cirurgia. Não que contemplasse a ideia de desistir (pelo contrário, tinha um enorme medo de que, por algum motivo que me fosse alheio - constipação minha, doença do médico, terremoto que destruísse o hospital, ou qualquer outra calamidade - a operação tivesse que ser adiada), mas acho que, à medida que a coisa se vai tornando mais real, é inevitável pensarmos que nos estamos a colocar numa posição de algum risco por motivos estéticos. Não senti um medo paralisante, mas foi o suficiente perceber que uma cirurgia é um caso sério e que não me sujeitaria a algo desta magnitude se só estivesse descontente com um pormenor. No meu caso, o meu nariz era algo que me incomodava diariamente, que sentia que não pertencia no meu rosto, e achei justificado o pequeno risco (presente em qualquer cirurgia) que correria e os subsequentes dias de recuperação em troca de algo que me permitiria olhar ao espelho e ver finalmentea imagem que via dentro da minha cabeça. 


Nos dias que antecederam a cirurgia, tive duas consultas: a primeira, com o médico anestesista e a segunda, na véspera, com o cirurgião. Ambas as consultas ajudaram a reduzir o pouco nervosismo que sentia, e acordei às 7h do dia marcado depois de uma noite bem dormida e confiante de que tudo decorreria tranquilamente. Até às 17h, o tempo voou: terminei de arrumar a minha mala, tomei banho com calma, cheguei ao hospital por volta das 10h, fiz o check-in e muito rapidamente levaram-me para o quarto, onde me deram a roupa que deveria vestir para a cirurgia e um comprimido para relaxar. Eram então 11h e a cirurgia estava marcada para as 12h25. Achei que faltava imenso tempo, mas pouco depois comecei a ficar com sono, adormeci e só acordei quando duas meninas da dietética me vieram visitar para personalizar a minha dieta para a estadia no hospital, visto ser vegetariana. Quando elas saíram, um enfermeiro e uma auxiliar levaram-me para o bloco operatório e uma outra enfermeira colocou-me o catéter na mão (era por essa via que seria administrada toda a medicação). A partir daí, tudo é uma confusão de rostos: como estava um bocado paranóica devido ao comprimido que havia tomado (e também porque sem lentes de contacto vejo muito mal) achava que me tinham levado para o bloco errado, pareceu-me ter ouvido a palavra "neurocirurgia" e achei que iria aparecer nas notícias por ter sido a pessoa que foi fazer uma rinoplastia e ficou sem parte do cérebro. Quando o médico anestesista chegou fiquei mais tranquila (afinal, tinha confiança total nele e no cirurgião) e deve ter começado a sedação porque não me lembro de nada durante algum tempo. 


Fui operada sob anestesia local e sedação, o que significa que estava consciente e a respirar naturalmente, mas num estado menos alerta e, obviamente, sem sentir qualquer dor. Portanto, quando acordei durante a cirurgia, não fiquei assustada. Vi o cirurgião e perguntei-lhe se já tinham começado, e fiquei feliz ao perceber que sim. Durante a cirurgia senti algum desconforto – a dada altura deixei de conseguir respirar pelo nariz e tive que começar a respirar pela boca, senti raspar o osso e o impacto das osteotomias. Ouvi conversas, parece-me ter ouvido música e alguém a cantarolar, vi que tiraram algumas fotografias ao nariz e ouvi-os trocar impressões sobre estar a sangrar mais do que o normal. No final o cirurgião introduziu um tampão em cada narina (que fez muita impressão), o anestesista levou-me para o recobro e disse-me que me tinha portado muito bem. Lembro-me de lhe dizer que não custou nada, e é verdade: o desconforto durante a cirurgia foi mínimo e certamente compensou pela ausência dos efeitos secundários mais comuns em caso de anestesia geral.


Não sei a que horas começou a cirurgia, nem quanto tempo estive no recobro, mas eram 17h quando cheguei ao quarto. Fiquei até às 19h ligada ao soro e depois deixaram-me finalmente levantar e vestir a minha roupa (claro que aproveitei para espreitar o nariz no espelho da casa de banho) e jantar. Foi a minha primeira refeição do dia, e apesar de não conseguir saborear bem os alimentos devido ao nariz bloqueado, soube-me maravilhosamente. Foi depois que a parte difícil começou: à medida em que ia passando o efeito da anestesia, a impossibilidade de respirar pelo nariz começou a incomodar-me cada vez mais. Sempre soube que o bloqueio nasal devido ao tamponamento seria desesperante, porque quando me constipo e fico congestionada fico extremamente incomodada e não descanso, nem durmo, enquanto não volto a respirar. Eram 3h quando consegui adormecer e fui acordando a cada hora, sempre que me esquecia de respirar pela boca. Numa das vezes em que acordei tive um momento de pânico por não conseguir respirar pelo nariz e a pressão que sentia devido ao tampão. Queria arrancar o tampão para poder respirar, e foi o único momento em que pensei “o que é que eu fui fazer?”. Nunca senti qualquer dor, náusea ou dor de cabeça, mas teria preferido tudo isso à sensação de nariz bloqueado. Durante uns trinta segundos, se me tivessem dado a opção de estar em casa a respirar bem com o nariz antigo em vez de congestionada com o novo, teria aceite. No entanto, acabei por conseguir acalmar-me e esperei a manhã seguinte, em que o tampão seria retirado. 


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